Deságio em Precatórios e RPV

Mãos trocam símbolo de porcentagem por cifrão, ilustrando juros.

O que é considerado deságio em um precatório ou RPV?

Um desconto aplicado sobre o valor atualizado do crédito, quando a antecipação ou a venda do título a uma empresa especializada é escolhida pelo credor, é o que se chama de deságio. Em troca de receber o valor à vista, uma parcela desse valor é abdicada pelo credor, e o risco da espera pelo pagamento público é assumido, a partir daí, pela empresa compradora. 

Nenhuma taxa arbitrária é o que o deságio representa. Um cálculo é feito, baseado em risco real e em tempo real de espera, e é isso que diferencia uma proposta justificável de uma proposta apenas vantajosa para quem compra.

A venda de um precatório com deságio é legal?

É. Prevista no art. 286 do Código Civil e seguintes, a cessão de crédito é o instituto jurídico que ampara essa operação, e reconhecida também é sua legalidade em decisões do Supremo Tribunal Federal. Nenhuma modalidade de empréstimo é caracterizada por essa venda, um patrimônio já existente é o que está sendo transferido, não um valor tomado com promessa de devolução futura. 

Por que um desconto é aplicado ao antecipar o recebimento?

Uma combinação de fatores ligados a risco e a tempo é o que explica a existência do deságio. Orçamentos públicos e prioridades legais, que variam de ano a ano, são o que determina o pagamento de um precatório, o que torna a espera longa e, em boa parte dos casos, imprevisível. 

Ao ser antecipado o recebimento, esse risco e essa pendência de prazo são transferidos para a empresa compradora, e por isso um valor menor do que o nominal é recebido pelo credor. Custos administrativos, tributários e de gestão jurídica também são incorridos pela empresa que compra o crédito, e é a remuneração desses custos, somada ao risco assumido, o que compõe o deságio final. 

Quais fatores influenciam o percentual de deságio?

Uma variação relevante é observada entre operações diferentes, e nenhum percentual fixo é praticado nesse mercado. Os principais fatores considerados são: 

  • Prazo de pagamento: quanto mais distante a expectativa de pagamento pelo ente público, maior tende a ser o deságio aplicado, já que o custo do capital parado cresce junto com o tempo. 

  • Natureza do crédito: créditos alimentares (salários, aposentadorias, pensões) têm prioridade legal e risco menor, o que costuma reduzir o deságio; créditos comuns tendem a ser tratados com deságios mais altos. 

  • Ente devedor: precatórios federais são considerados mais previsíveis do que os estaduais e municipais, o que se reflete diretamente no percentual negociado. 

  • Correção monetária e juros: o índice de atualização aplicado, hoje regido pelas regras da EC 136/2025 para créditos federais, afeta o valor final corrigido, e consequentemente a base sobre a qual o deságio incide. 

  • Custos tributários e honorários: impostos incidentes e honorários advocatícios reduzidos do valor líquido também são levados em conta no percentual final. 

  • Cenário político e econômico: um ambiente de maior instabilidade fiscal tende a elevar o deságio percebido como justo pelo comprador, enquanto estabilidade tende a reduzi-lo. 

Como o deságio de um precatório é calculado, na prática?

Uma fórmula relativamente simples é usada para se chegar ao valor líquido: 

Valor Líquido a Receber = Valor Atualizado do Precatório × (1 − Percentual do Deságio) 

Um exemplo prático pode ser demonstrado assim:

Para um precatório com valor atualizado de R$ 100.000, e um deságio pré-acordado de 40% (0,40 em decimal): 

  • R$ 100.000 × (1 − 0,40) = R$ 100.000 × 0,60 = R$ 60.000 

Um valor à vista de R$ 60.000 é o que seria recebido pelo credor, nesse exemplo, evitando anos de espera pelo pagamento integral. Vale destacar que o valor já corrigido e atualizado até a data da negociação é o que deve ser usado nessa conta, não o valor original da sentença. 

Um deságio de 40% é considerado alto?

Depende do prazo evitado, e é aqui que uma análise crítica se torna necessária. Isoladamente, 40% pode parecer um desconto expressivo. Mas quando esse percentual é comparado ao tempo real que seria aguardado, em alguns casos anos, e ao risco de mudanças legislativas ou orçamentárias nesse intervalo, uma leitura mais equilibrada é possível. Um deságio maior aplicado a um precatório com prazo muito longo não é necessariamente injusto; um deságio parecido aplicado a uma RPV com prazo de 60 dias mereceria, por outro lado, mais questionamento. 

A comparação entre propostas de diferentes empresas, e não a aceitação da primeira oferta recebida, é o que costuma proteger melhor o credor nesse ponto. 

Quais riscos existem ao vender um precatório com deságio?

Não necessariamente. Calculados sobre o valor original do precatório, os honorários contratuais e sucumbenciais costumam ser tratados separadamente do deságio aplicado ao crédito principal, conforme o que for informado com clareza ao credor e ao advogado no momento da proposta. A preservação desses valores, em conformidade com as normas vigentes, é o que deve ser garantido por qualquer empresa que atue nesse mercado.

Vender um precatório com deságio vale a pena?

Uma decisão pessoal é o que está em jogo, e ela depende do peso relativo entre liquidez imediata e valor integral corrigido. Entre os pontos favoráveis à antecipação, estão: 

  • Liquidez imediata: acesso rápido ao capital, sem depender do cronograma público. 

  • Transferência de riscos futuros: atrasos adicionais, mudanças legislativas ou inadimplência passam a ser problema da empresa compradora, não mais do credor. 

  • Planejamento financeiro mais previsível: decisões de médio prazo deixam de depender de um calendário orçamentário que o credor não controla. 

Por outro lado, um valor definitivamente menor do que o nominal é o que se recebe, e essa é uma perda que não se reverte depois da assinatura. Uma comparação criteriosa entre a real necessidade de liquidez e o tempo que, de fato, seria esperado é o que deveria orientar essa escolha, não apenas o percentual de deságio isoladamente.

Quais etapas são seguidas para antecipar um precatório?

Uma sequência padrão costuma ser adotada nesse tipo de operação: 

  1. Envio da documentação: os dados do precatório ou da RPV são enviados pelo credor. 

  2. Análise digital: uma avaliação detalhada do título é conduzida pela empresa compradora. 

  3. Apresentação da proposta: o valor líquido, já com o deságio aplicado, é informado com transparência. 

  4. Assinatura do contrato: a formalização é feita digitalmente, após a aprovação do credor. 

  5. Liberação do pagamento: o valor é transferido à conta indicada. 

  6. Acompanhamento: o andamento da operação pode ser consultado pelo credor até a conclusão. 

No LCbank, esse fluxo é conduzido de forma 100% digital, com o pagamento liberado via Pix em até 24 horas após a assinatura do contrato, para créditos de RPV e precatório federal contra a União, o INSS e autarquias federais.